quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Educação e tecnologia: é preciso transpor o obsoleto.

A globalização está impregnada de heterogeneidades conceituais. Para os países ricos e suas fortes corporações, ela é entendida como uma condição sine qua non para a continuidade dos negócios. Para os países pobres, muitas vezes ela representa mais perdas do que ganhos. Freqüentemente os detritos – ecológicos, sociais, econômicos – são o que sobram a eles. Os efeitos nocivos nas estruturas sociais, econômicas, políticas e culturais operam de acordo com a realidade de cada pais. Sejam nas denominadas nações emergentes ou em desenvolvimento, os impactos são específicos a cada realidade. Contudo, seja qual for a direção que esse vocábulo tome, a globalização estimula um turbilhão de efeitos e se avoluma com o desenvolvimento da microeletrônica e da conseqüente transformação em todos os setores da sociedade. Mas por que caracterizamos a tecnologia como um impacto? A resposta está na velocidade proporcionada pela microeletrônica. Sem a tecnologia, a globalização não teria a mesma face. No contexto atual, as empresas são valoradas em relação à capacidade de adaptação, ao grau de automação e informatização, à velocidade no atendimento ao cliente e na redução dos processos de fabricação. Tudo é redefinido com apenas um upgrade num equipamento de fábrica, num computador ou num software. Também são somados os discursos que apregoam que os funcionários devem ser mais ágeis, absorverem as mudanças, serem flexíveis e estarem prontos para abrirem mão do passado, mesmo o mais recente, e assim evitarem as brechas tecnológicas e, conseqüentemente, os intervalos cognitivos. Como se deslocar da estagnação para um ambiente de alta tecnologia? Esse é o desafio de muitas empresas latino-americanas. A brecha tecnológica não é uma condição determinista, mas um efeito das limitações evolutivas – impostas ou não – por uma empresa ou pelas estratégias educacionais de um país. O Estado tem um papel fundamental em relação ao investimento em educação, pois ele pode permitir a evolução das capacidades cognitivas de seus cidadãos através do investimento real – em grande escala - de centros de inteligência em TODOS os níveis educacionais para a fomentação da aprendizagem tecnológica em sintonia com as melhores práticas globais. Teríamos assim, cidadãos previamente capacitados diante de toda renovação tecnológica. (Dias-Baptista, Renato)