sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A ética ou a ausência dela na seleção de pessoal

As oportunidades de emprego se afunilam com a automação de processos, com o enxugamento do quadro de funcionários e o redesenho de funções. São dados que todos profissionais já constataram. Mas o crescimento de algumas atitudes não éticas e a acentuação do preconceito de todos os tipos são preocupantes: a busca de pessoas superqualificadas para executarem tarefas simples, com planos de carreiras inexistentes, pressões sem fundamento, humilhações e a desqualificação moral ocupam o cenário de muitas empresas. Quase sempre são organizações ultrapassadas e moribundas. Dentre vários problemas, gostaria de destacar a questão da seleção de pessoas. Já ouvi muitos profissionais se queixarem de condutas suspeitas em métodos de seleção: Alguns disseram terem que imitar uma galinha, outros de terem dançado ou de esperar horas para se testar a paciência. Claro que, num contexto de crise de emprego, muitas pessoas acabam sujeitando-se aos procedimentos absurdos. Lembro-me de uma pessoa que, por estar desempregada, disse ter imitado uma galinha. Podem existir inúmeras “explicações” que um “selecionador” arrume para justificar a aplicação de uma dinâmica desse tipo, mas nenhuma delas garantiria que isso seria um procedimento ético. Espero que você - leitor - não precise se submeter a essas dinâmicas grotescas, se puder levante-se e diga que essa empresa não serve para você. Se puder! Entretanto, a incompetência é da organização que utiliza tais condutas e não do candidato. Nada que seja humilhante poderia ser considerado ético. Existem formas inteligentes para escolher um candidato. Uma organização que desrespeita as pessoas nos processos de seleção, deve estar falhando em muitas outras partes, e todas empresas que agem assim ou que permitem isso em suas assessorias, desconhecem o significado da ética. São empresas irresponsáveis socialmente.
Fonte: Renato Dias Baptista (publicado no site curriculum e no livro: Involuções Corporativas, 2007).