quarta-feira, 14 de abril de 2010

Tecnologias e as catástrofes atuais

Os computadores, softwares, robôs, equipamentos semi-automatizados, dispositivos comunicacionais móveis e a web, entre outros, impulsionaram as transformações contemporâneas. A tecnologia desenvolve de modo acelerado a coleta, o armazenamento e o processamento de dados. Assim, como já afirmou Eugenio Trivinho - eminente pensador da cibercultura -, é como religião que a tecnologia é cultuada e apresentada como um espetáculo cotidiano.
Contudo, qual é efetivamente o papel dessa tecnologia? Num momento em que se fala tanto sobre elas, principalmente por auxiliarem nas estratégias de ajuda humanitária em situações de catástrofes, seja no Haiti, no Chile ou no Rio de Janeiro, não devemos perder de vista alguns pontos fundamentais: as tecnologias são dependentes das pessoas e das técnicas de gerenciamento. São os seres humanos que operam os equipamentos que estão por trás dos satélites de observação da Terra e que coletam imagens para ajudar as equipes de resgate, elas compõem os grupos de apoio na arrecadação de fundos, elaboram os mapas on-line e as imagens para compreender o alcance dos danos, desenvolvem links nas redes sociais - facebook, myspace – no microblog twitter ou nos websites que possibilitam contribuições, e também estão na operação e na análise dos sistemas de meteorologia. Porém, tudo isso é dependente das ações do Estado.
Veja-se o caso da saúde pública, por exemplo, não são suficientes a ciência e a técnicas laboratoriais para controlarem ou eliminarem doenças como a cólera ou a dengue. Elas também são combatidas por sistemas comunicacionais direcionados à área preventiva e pela disseminação dos hábitos de higiene. São as estratégias informacionais que concebem os códigos para identificar o ambiente, para inserir mudanças e para inter-relacioná-las ao repertório cognitivo da população; tudo eficazmente fomentado por modelos de gestão pública.
Voltando ao nosso tema inicial, não podemos esquecer que as informações proporcionadas pelas tecnologias são infrutíferas sem uma ação proativa, elas podem prever terremotos e chuvas, mas não direcionam recursos para as construções anti-sísmicas e – no caso brasileiro - não impedem a ocupação dos morros, dos lixões desativados e de outros locais de risco. Não bastam as informações, elas dependem de uma gestão pública inteligente. (Renato Dias Baptista, Jornal da Cidade, 2010).