quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Convide um robô para a próxima reunião

Os grandes investimentos realizados pelas organizações permitiram mesclar o humano e o tecnológico. Veja-se o caso de alguns processos de trabalho que foram totalmente automatizados ou em outros onde a tecnologia compartilha os espaços: o operário executa uma tarefa e, na sequência, a conclusão é feita por um robô. Claro, nem sempre essa ordem é a estabelecida, pois um robô pode situar nas mais distintas posições de um processo de produção; não raro, se tornou a essência. Nos escritórios, deixamos o trabalho realizado num espaço temporal para deslocar ao atemporal quando realizamos as atividades da empresa em nossa casa ou a caminho dela.
Na lógica da vida cotidiana - mutatis mutandis - a liberdade se tornou relativa, os relacionamentos se tornaram sintéticos e a ordem das ‘coisas’ artificiais. Nesse aspecto, os impactos tecnológicos não são puros, mas sincréticos e multifacetados, são novos que contém características primitivas. Hoje, tudo é redesenhado, até as imperfeições tecnológicas são qualificadas pelo “criador” ou seu usuário: é o computador lento, a impressora preguiçosa, o robô que não quer trabalhar ou o software em conflito. Como um insano, a tecnologia também abre espaço para a falácia compulsiva, um oráculo que devora a despeito de ser decifrado. Nela estão os sonhos, a discórdia, o mal e o bem – um e outro ao mesmo tempo - a informação e a desinformação.


Fonte da imagem: theguardian.co.uk

A tecnologia incorporada ao trabalho, ora demite, ora admite novos empregados, às vezes fomenta a participação criativa e em outras ocasiões manipula tudo e todos. Ela também permite a socialização do conhecimento e, em outras circunstâncias, se torna uma rede hermética. Como a metáfora do ‘monolito negro’ de Stanley Kubrick em seu filme ‘2001 uma odisséia no espaço’, em todos os tempos a tecnologia causou seus espantos, suas inconformidades e suas mudanças cognitivas naqueles que foram ‘tocados’ por ela - nas questões do trabalho o termo seria ‘trocados’-. O mote tecnológico parece ser a ’irreversibilidade’ ou algo que se manifesta de modo imponente como no slogan “nem um passo atrás” atribuído a Stalin. Logo, o momento tecnológico pode indicar um futuro onde as máquinas se integrarão de modo ainda mais profundo ao cotidiano, como se pudéssemos prever que um dia será considerado uma “falta de tato” não convidar um robô para a reunião.
  • O autor, Renato Dias Baptista, é professor assistente doutor (RDIDP) do curso de Administração da Unesp, câmpus de Tupã. E-mail: rdbapt@gmail.com