segunda-feira, 12 de julho de 2010

Quando a cultura absorve e 'absolve' a antiética.

A cultura corporativa e suas inter-relações sociais foi o tema de uma aula que ministrei num curso de pós-graduação. Naquela ocasião eu destaquei inúmeros exemplos sobre culturas éticas. Ao concluir a exposição, um estudante - que também ocupa o cargo de gerente de contas de um Banco – perguntou de exemplos sobre o que seria a ausência de ética numa organização. Para explorar um pouco o caráter empírico citei o 'comportamento' encontrado em diversas empresas do setor bancário que vinculam a necessária aquisição de outros produtos para conceder um financiamento ao cliente ou quando vendem algo – e intencionalmente – não apresentam os 'detalhes' da transação financeira. Então, o aluno – e gerente – com ironia afirmou que isso é um procedimento de "seu" Banco, é comum e não seria antiético, ressaltou ele (...). Ao redigir este texto recordo de uma citação de Montaigne – Ensaios, Livro 1 – “O costume é efetivamente um pérfido e tirânico professor. Pouco a pouco, às escondidas, ganha autoridade sobre nós; a princípio terno e humilde, implanta-se com o decorrer do tempo, e se afirma, mostrando-nos de repente um expressão imperativa para a qual não ousamos sequer erguer os olhos.”
Enfim, esse é um exemplo de quando a ausência de ética está instituída e arraigada na cultura de muitas empresas. Quando nem mesmo o indivíduo consegue questionar a realidade que o circunda.